GRUTA AZUL – COCALINHO

Entre o rio das Mortes e as mineradoras de calcário, a cerca de 3 Km de distância da MT-326, a gruta impressiona seus visitantes por sua beleza. A formação calcária, que dá o efeito azul à água, é um lugar singular de água cristalina, mas com muitas colorações por conta do efeito causado pela claridade do sol. A Gruta da Lagoa Azul se reveste de importância, pois é a única entre as grutas
conhecidas em que o lençol freático aparece e ocupa a maior parte dos condutos. Esse fator, por si só, já é de grande importância, pois permite a verificação direta do nível de oscilação do lençol freático para a área referente a variações sazonais.
Além disso, a distribuição dos condutos e seu direcionamento revestem-se deimportância para a compreensão das forças tectônicas que atuaram no local, pois o distanciamento da gruta em relação a outras conhecidas é grande, e a verificação do lineamento dos condutos ratifica a direção geral da Serra do Calcário.

A área apresenta, ainda, evidências de oscilação do lençol freático. Pode-se observar, no interior da Gruta da Lagoa Azul, um lago cuja profundidade ultrapassa os 44m, estalactites submersas até a profundidade de 3m na estação das secas, mostrando que o lençol freático já esteve em um nível mais baixo que o atual. O fato é corroborado pela existência de um sítio arqueológico submerso, com vestígios humanos no solo de um conduto, cuja profundidade é da ordem de 4m, situado em um conduto lateral distante algumas dezenas de metros da entrada e alagado em todo o seu percurso.

Existe uma oscilação natural do lençol freático, que é da ordem de 2m entre o período das secas e o das chuvas. Eventualmente, a oscilação pode chegar a 2,4m, como mostram as marcas existentes na parede da Gruta Lagoa Azul. As medições de profundidade das estalactites e do sítio arqueológico foram feitas no final da estação seca; portanto, na época em que o lençol freático se encontrava em seu nível mais baixo. A identificação de espeleotemas aéreos submersos e de um sítio arqueológico com cacos de cerâmica e dois esqueletos humanos, em setores dos condutos alagados, indica que, em períodos recentes, houve uma variação da ordem de 4m no nível do lençol freático. Embora de pequena variação, tendo em vista o tipo de sítio (cerâmico) e a presença de
vestígios humanos, se estudos futuros de arqueologia corroborarem a ligação dos esqueletos com a cerâmica, o sítio não poderia ser muito mais antigo que cerca de 5 mil anos BP, se considerarmos o conhecimento arqueológico atual, que indica os primeiros sítios cerâmicos com ocorrência em torno de 3 mil anos a.C. Caso os esqueletos não tenham vínculos com a cerâmica, que se encontra principalmente no lago de acesso, podendo ser restos de potes utilizados para retirada de água, então o sítio pode ser mais antigo, visto haver datações de esqueletos humanos no Brasil da ordem de 12 mil anos antes do presente.

Documentário do Roncador

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